Educação e História

Em qual momento da história o ser humano percebeu que poderia transmitir conhecimento a outro ser humano?

Quando exatamente isso aconteceu? 

Não tem como determinar, mas certamente a história da educação se iniciou nos primórdios da humanidade.

Talvez de forma intuitiva e natural. Podemos imaginar jovens e crianças – ao redor de uma fogueira, à beira de um riacho, ou caminhando em alguma praia – ouvindo dos mais velhos, relatos e histórias que eram contadas e passadas de geração a geração.

É inegável que o processo de educação foi fundamental para o crescimento e desenvolvimento do ser humano e, consequentemente, dos grupos sociais e de suas respectivas sociedades.

Sem a educação e o conhecimento jamais teríamos notícias sobre a história e todas as experiências que já foram vividas. Devemos chamar este processo de compreensão de mundo. 

A partir de agora, vamos iniciar uma série de postagens acerca da importância da educação, da cultura, da memória, desde os tempos mais remotos, como a pré-história, passando pela educação greco-romana, até os dias de hoje.

A Pré-História

A Pré-História é considerada o maior período da existência do homem, cerca de 5 milhões de anos. Iniciou-se com os primeiros registros históricos que se estenderam até aproximadamente 4000 a.C. 

Ela se divide em três períodos:

  • Paleolítico:  Idade da Pedra Lascada, 600 mil a 10 mil anos a.C.,
  • Neolítico: Idade da Pedra Polida, 10 mil a 5 mil anos a.C., e
  • Idade dos Metais: 5 mil a 4 mil anos a.C. 

Nesses períodos, acompanhamos o desenvolvimento dos hominídeos, e o surgimento do homo sapiens sapiens, há cerca de 300 mil anos.

Ao longo desse tempo, a aprendizagem já começou a dar seus primeiros passos, quando os primeiros grupos humanos passaram pelo processo de adaptação ao meio ambiente em busca da sobrevivência. Os homens transformaram-se em caçadores, coletores e agricultores, até chegarem a confeccionar e fazer uso de metais.

Os metais foram muito usados, principalmente para a feitura de armas, machados, agulhas e outros instrumentos. Até mesmo a arte começou a ser concebida pelo homem, a pintura rupestre. 

Verifica-se neste período um aumento da população, e a organização social se tornou mais complexa, com novas formas de trabalho, desenvolvimento da agricultura, a domesticação dos animais, que ora auxiliavam o homem para transportar carga, como meio de transporte e, também como alimento.

Essas atividades possibilitaram ao homem o sedentarismo, a formação de grandes agrupamentos, culminando com a formação das primeiras cidades.

Não restam dúvidas de que o aprendizado desse período se concentra na observação. Filhos observavam os pais caçarem, pescarem e cozinharem. Na verdade, o aprendizado era para todos e significava sobrevivência. 

Educação greco-romana

selo de aquiles e ajax jogar jogo de tabuleiro - grecia antiga - fotografias e filmes do acervo
grego-romana

Grécia 

A História da Educação ocidental começa na Grécia. Os gregos são os pioneiros na formação de teorias educacionais, e os que mais se sobressaíam, e a educação que conhecemos tem sua base na cultura greco-romana.

A Grécia tinha como princípio a formação integral do indivíduo, de maneira que, ora essa formação se fixava no intelecto, ora para a preparação militar, por meio de exercícios e esportes.

Antes do surgimento da escrita, quem educava e formava os jovens em diversas áreas eram os preceptores. Todavia, somente a elite tinha acesso aos preceptores. 

Já para as camadas menos favorecidas da sociedade a educação e a preparação dos filhos ficavam a cargo das próprias famílias.

A paideia – παιδεία – é o modelo grego clássico de educação que visa à preparação do cidadão para a vida adulta, uma formação completa, um processo de educação que se perpetuava por toda a vida.

A Padeia grega é uma proposta de formação humano-intelectual dos cidadãos gregos na busca pela excelência humana. 

Trata-se de uma técnica de ensino que prepara a criança para a vida adulta, tornando-se um processo de educação que se perpetua por toda a vida.

Vale ressaltar que na Grécia a educação física era a militar e direcionada aos esportes, como o hipismo. Já o atletismo se abriu a um maior público, assim como a várias classes sociais.

 A educação esportiva não era exclusiva da escola, ela estava presente em vários âmbitos, como em reuniões, atividades coletivas, jogos, artes e o teatro, nas representações dramáticas. 

Roma

Assim como na Grécia, a educação em Roma era também um privilégio de uma pequena camada social.

O que se ensina são lições básicas de cálculo, de leitura e de escrita. Os alunos frequentavam a escola até atingirem a idade de doze ou treze anos de idade, quando eram dispensadas e liberadas para os casamentos e serviço militar. 

Quem permanecia na escola estudavam também gramática, literatura, religião, história, geografia, astronomia, matemática, retórica e noções de agricultura.

Em Roma o ensino se dividia. O nivelamento correspondia ao que hoje conhecemos como ensino primário e superior. 

O mais importante, contudo, era a formação civil e militar. Dessa forma o cidadão romano possui consciência do direito e do dever que lhe aguardava. 

Idade Média 

Se em Grécia e Roma é a vida política que direcionava a família, a educação e a sociedade, na Idade Média esse papel coube à religião. 

Na Idade Média, não se segue o modelo de ensino de habilidades políticas. Toda a influência é da Igreja e, dentre os conteúdos que são ministrados, estão o Latim e ensino religioso.

E da mesma forma que na Antiguidade, o ensino continua para poucos. Ou seja, somente a nobreza e as classes mais abastadas têm acesso à escola, de maneira que grande parte da população é analfabeta.

A função primeira da educação medieval é a evangelização, a revelação das verdades divinas e a salvação das almas para a vida eterna.

O Renascimento

biblioteca histórica do mosteiro de strahov em praga, salão filosófico - idade media ensino - fotografias e filmes do acervo

No Renascimento as descobertas marítimas ampliam horizontes geográficos, da mesma forma a revolução comercial promove a burguesia e, também, de maneira semelhante, a formação das monarquias.

A Reforma Protestante, por conseguinte, muda drasticamente a autoridade da Igreja. Daí surgem diversas ordens religiosas, principalmente, a Escola Jesuíta que alia a concepção da escola tradicional europeia à catequização do novo mundo.

Desse modo, a educação está vinculada ao Renascimento, não somente pela forma de ensino, mas, principalmente, pelo crescimento e pela difusão de colégios e material pedagógico criado para alunos e professores. 

Embora haja a expansão da escola, o ensino ainda continua sendo para a pequena nobreza que deseja a formação não somente para a formação humana e filosófica e, sim, para a vida política.

Em contrapartida ocorre um fato interessante que se mantém até os nossos dias que é a separação do mundo infantil e adulto. 

Todavia, os alunos são submetidos a uma disciplina bastante severa, e a escola tem como missão cuidar da formação moral do aluno, sob um regime de estudo  extenso, dando continuidade ao trivium e quadrivium.


Conceito de Trivium e Quadrivium

Aplicado às disciplinas chamadas trivium – gramática, retórica e lógica – e quadrivium  – aritmética, geometria, música e astronomia – introduzido por Marciano Capella, no século V, com a publicação de sua famosa obra De nuptiis Mercurii et Philologiae. Nela são estabelecidas as sete disciplinas liberais dignas dos homens livres, sendo um grupo dedicado à palavra e outro à ciência dos números e medidas. ARTES Liberais. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo32/artes-liberais. Acesso em: 19 de janeiro de 2022. Verbete da Enciclopédia.

 Período Moderno 

Já ao entrar no século XVII, a Educação tem nova configuração: há obrigatoriedade da escola, criam-se leis, programas e níveis de escolaridade.

Todavia, o monopólio ainda pertence à Companhia de Jesus, que representa o modelo tradicional com base na Escolástica.

A Escolástica

É uma vertente da filosofia medieval ocorrida na Idade Média. Surgiu na Europa no século IX e permaneceu até o início do Renascimento, no século XVI. Tal vertente tem como principal representante Tomás de Aquino, que usa o pensamento aristotélico para analisar questões inerentes à fé. A principal característica da escolástica estrutura de pensamento e conhecimento e na integração entre a razão e fé cristã. Contudo, na escolástica sobrepunha a fé.

Neste contexto, surge uma nova escola, ou seja, as academias, como, em 1660, Academia de Ciência, cujos participantes são Descartes, Pascal e Newton.

Vale ressaltar que influencia dos jesuítas continua, apesar do Iluminismo no século XVIII, 

Entretanto, em 1773, a ordem é desfeita e o sistema escolar é transformado e passam a seguir os interesses da aristocracia e as ideias liberais presentes.

A Contemporaneidade 

Mulher sentada na mesa, escrivaninha, & (B W

Agora um grande salto será dado para o século XIX.

Aqui a configuração muda. A urbanização já está acelerada e o capitalismo industrial impera. Assim, um novo panorama surge com forte expectativa para educação.

O trabalho requer essa mudança. Isso porque, agora, são diversas as profissões, e a complexidade do trabalho exige mão de obra especializada.

Nesse sentido, não tem como dar continuidade ao modelo de escola clássica para atender a burguesia. A demanda é para cursos profissionalizantes que, antes de tudo, forma um profissional.

Nesse diapasão, o ensino universitário é ampliado e reformulado. Surgem as escolas politécnicas, as escolas da primeira infância, os “jardins da infância” em decorrências a educação visa às escolas normais e a formação de professores.

A preocupação agora é com o bem-estar social, e com o progresso. Dessa forma, a educação tem caráter mais científico. Contudo, com as 2 Grandes Guerras transformam a escola, o professor e o aluno.

Colegas estudando juntos na frente da faculdade antes de um exame Foto gratuita

Educação no século XXI

O que chama atenção na educação no século XXI é a tecnologia. A era digital democratizou o conhecimento e transformou radicalmente a maneira de estudar. Hoje os estudantes têm muito mais motivação e capacidade de fazer escolhas.

Na mesma medida, o mercado de trabalho também se transformou e começou a buscar profissionais ágeis, com habilidades diferentes, que conseguem, além de desempenhar suas funções, interagir, ser proativo, liderança e tantas outras habilidades.

Todos esses fatores advêm da tecnologia da informação.

As Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs – de acordo com o dicionário, é um conjunto de conhecimentos ou princípios científicos aplicados aos campos de atividades que tenham relação com o universo profissional. 

Assim, estamos a acompanhar um mundo repleto de tecnologias as quais a escola usa como recursos em sala de aula com a finalidade de estimular a criatividade, o raciocínio lógico, a colaboração, a capacidade de pesquisa e tantas outras competências tão importantes a nossa contemporaneidade.

Pai ajudando e apoiando a filha na escola online enquanto fica em casa Foto gratuita

Conclusão

Ao longo do texto é possível perceber que a Educação e História estão bem interligadas, e que sempre a humanidade buscou o conhecimento para sua transformação.
A Educação é um processo vinculado à própria humanidade, ainda que em diferentes tempos, estimula, forma, liberta, independente do tempo, espaço, pois ela é atemporal e sua História admirável. 

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